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Integrando o diferente

Somos seres humanos únicos e diferenciados, e mesmo sabendo disso tentamos mudar o outro, desejando que sinta, pense e aja como nós sentimos, pensamos e agimos. Isso, muitas vezes, pode levar ao conflito nas relações entre pais e filhos, homens e mulheres, parentes, amigos e colegas de trabalho.

A maior parte das pessoas não quer modificar seu comportamento, seus padrões e crenças, mas, ao mesmo tempo espera, deseja e até exige a mudança do outro. Existe um modo de possibilitar uma convivência mais harmoniosa: o conhecimento e o respeito das diferenças de cada um, para que sejam aceitas e integradas. Aceitar nem sempre é concordar. Mas, nas relações, muito do que é julgado como defeito ou oposto, na verdade, é apenas diferença. Por que nos incomodamos tanto com a forma do outro ser, diferente? Por que tentamos afastar ou mudar o que é diferente de nós?

Talvez seja uma boa forma de não olharmos para nós mesmos. Ao invés de olharmos para nossa intolerância, inflexibilidade, dificuldade de mudar e muitas vezes incompetência para ser feliz, desviamos nossa atenção para criticar e tentamos modificar o outro.

Como admitir que alguém possa buscar seus prazeres livremente, sem se limitar às nossas normas? Como aceitar que uma pessoa não tenha controle e expresse tudo que sente claramente, ao contrário de mim? Como permitir que alguém seja egoísta pensando em si em primeiro lugar? Como concordar que alguém mude de opinião ou de atitude de um dia para o outro? Será que não estamos criticando no outro uma ou algumas possibilidades que podem ser nossas e estamos nos negando a vive-las? E se ao invés de julgarmos e nos incomodarmos tanto, nos colocássemos no lugar do outro e olhássemos a vida com os olhos dele? E por que não procurar aprender e aceitar, integrando o diferente em nossas vidas, procurando mudar? Quais os aspectos diferentes que posso absorver do outro e me sentir mais feliz?

A convivência entre pessoas distintas, que pensam de forma diferente e atuam em estilos diversos, embora difícil, pode oferecer mais alternativas e maiores possibilidades de criar coisas novas, já que a soma das experiências e características é bem maior do que seria, caso fossem muito parecidas. Por exemplo, uma pessoa reage de forma mais racional e outra de forma mais emocional, ou uma mais introvertida, enquanto outra mais extrovertida, uma pessoa mais agitada e outra mais calma, ou seja, cada pessoa com suas características e seus limites pode integrar e complementar a relação, não separar.

Ao invés de ser um impedimento, podemos através das diferenças evoluir e aumentar as possibilidades de aprender, mudar, aceitar e fazer com que o relacionamento não apenas sobreviva, mas seja um crescer contínuo. Integrando as nossas diferenças, temos a possibilidade de alcançar o ponto de equilíbrio e certamente, estaremos no caminho da convivência saudável e do verdadeiro encontro.

Lucia De Rose
Psicóloga - CRP/05-0795,
Psicoterapeuta Portal Violeta:
R. Pinto de Figueiredo, 67 sobreloja
Telefone:2234-2533

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